Fé e Razão como estradas que levam a verdade
Nossa reflexão tem como ponto de partida o texto de I Pedro 3.13-17.
Vivemos dias difíceis, em diversas esferas de nossas vidas. Diante de nós, observamos a que nível a maldade do ser humano pode chegar, vemos a pré-disposição, que alguns tem em prejudicar outras pessoas, com a finalidade de alcançar coisas, das maneiras mais baixas. Percebemos a desumanização, que a cada dia tem aumentado, evidenciando que coisas tem mais valor que os seres criados por Deus. Diante de dias como estes, somos confrontados a refletir, ainda mais, sobre nossa humanidade, refletir sobre nossos discursos, sobre nossas ações, sobre nossa crença, sobre nossa condição em relação ao contexto que vivemos e nas relações que temos. Diante dos problemas no ambiente que vivo, como tenho atuado para ser parte da solução? Diante da dor e sofrimento, como minha vida tem impactado outras vidas? Diante de tanta escuridão e trevas, tenho sido a luz que pode direcionar as pessoas ao caminho da esperança? Diante de tantas questões e deste caos, se faz necessário que, enquanto cristãos, venhamos refletir sobre os conselhos que Pedro escreve nesta primeira carta, especificamente quando ele diz para “estarmos sempre preparados para responder a qualquer pessoa sobre a razão da esperança que há em nós”.
Esses dias vi um vídeo no Instagram e havia um soldado russo e havia uma frase em sua farda que chamou atenção da pessoa que publicou o vídeo e daqueles que acompanham o trabalho dessa pessoa. A frase inscrita sob o uniforme do soldado dizia “eles vão morrer e a gente vai para o paraíso”. Ler uma frase como esta, precisa despertar o desejo de refletir sobre a razão da nossa fé. Trata-se de uma declaração, que ganhar mais notoriedade e peso, por todo o contexto, mas vemos e ouvimos frases semelhante, todos os dias e em diversos lugares, que dizem proclamar a palavra de Deus. Me pergunto, que deus seria este? Um deus que exala ódio e rancor? Que tipo de fé é esta, que carrega um discurso de opressão e ódio? Em quem ou no que estas pessoas acreditam? Recentemente, por exemplo, no RJ um “pastor”, foi preso por promover discursos de ódio contra a população judaica, intolerância religiosa, racismo e xenofobia. Uma pessoa, que usando o nome de Deus, tem realizado um desserviço a missão deixada por Cristo. Sobre isto, lemos o seguinte em Mateus 7.21.23, na tradução A Mensagem:
“Saber a senha correta – por exemplo, Senhor, Senhor – não levara vocês a nenhum lugar comigo. O que se requer é obediência, é fazer o que meu Pai deseja. Posso até ver a cena final, milhares vindo em minha direção e se justificando: Senhor nós pregamos a mensagem, expulsamos demônios, e todos diziam que nossos projetos eram patrocinados por Deus. Sabem o que vou responder? Vocês perderam a oportunidade. Tudo que fizeram foi me usar para virarem celebridades. Vocês não me impressionam nem um pouco. Fora daqui.”
Em algum momento e em algum nível, a expressão “precisamos usar a razão e deixar o coração um pouco de lado”, pode fazer sentido em nossa caminhada. Talvez esta frase seja aplicável em diversos momentos da nossa vida e acredito que o tempo que vivemos, da forma que estamos vivendo, seja um excelente momento para usarmos esta razão. Percebemos a importância de refletirmos sobre a razão da nossa fé e da nossa esperança, refletir sobre em quem nós cremos, mas além disso, refletir porque nós cremos e talvez responder a estas questões, possa cessar a ausência de respostas, que tem afastado muitas pessoas desta caminhada e impedido que muitas outras se aproximem. Talvez não seja um exercício simples e fácil, mas a razão da fé que declaramos precisa ser compreendida, descoberta e provada para evidenciarmos a verdade descrita nas escrituras.
Estes três atos, trabalhados em nossa mente, são renovados e ressignificados a partir das experiencias que temos com Deus, das relações que temos com nossa comunidade (igreja, família, amigos, trabalho, dentre outros) e com as relações que temos com nossa sociedade. Revisitar e meditar nas escrituras, são requisitos importantes e fundamentais, para compreender nosso papel nesta terra e neste tempo. Na segunda carta que Pedro escreve, no capítulo 1, observamos instruções de Pedro para que as pessoas, continuamente, permanecessem crescendo, para compreender e conhecer profundamente sobre de Jesus Cristo. Crescer nestes atos, permitirá compreender a razão pela qual acreditamos no que acreditamos e em cada etapa descobriremos, um pouco mais sobre nossa capacidade de realizar obras grandiosas.
No texto da nossa reflexão, Pedro encoraja as pessoas que busquem e mantenham a paz, dediquem-se a fazer o bem e que pratiquem a justiça, mesmo que isso represente um alto valor. Mesmo que tenhamos que arcar com este alto valor, o apostolo nos encoraja a continuarmos, pois “é melhor fazer o bem, do que fazer o mal”. A partir deste fazer o bem, provaremos a razão da nossa fé. Cristo compreendia a profundidade do seu chamado, conhecia em quem e porque acreditava e isto possibilitou provar sua fé em Deus, a partir de seus atos de justiça, de amor, de liberdade, de esperança e salvação. Pagou um alto valor, sofrendo morte física, mas entendia o que era necessário fazer, como era necessário fazer e porque era necessário fazer. A partir deste exemplo, precisamos compreender a profundidade do nosso chamado, para descobrirmos a razão desta esperança que esta n’Ele e assim testificarmos ao mundo o porquê vivemos e acreditamos.
Em um mundo como o que vivemos, onde a criação é reduzida a nada, onde pessoas são mortas, por exigir aquilo que é seu direito. Em um mundo em que relações são destruídas por não estarmos dispostos a ouvir e se fazer ouvido. Em um mundo individualista, narcisista e hedonista. Falar e viver justiça, amor, liberdade, esperança e salvação, pode nos levar ao mesmo fim que Cristo teve. Mas se compreendemos a razão da nossa fé e esperança, entendemos que se torna necessário nos posicionarmos contra a falta de tudo isso. Sim, nos levantar e denunciar aquilo que não condiz com as escrituras, denunciar aquilo que tem oprimido, denunciar aquilo que tem gerado divisão e ódio, denunciar aquilo que tem prejudicado e matado pouco a pouco a criação de Deus. Lembre-se que não fazer nada, também é uma ação, mas que não gerará nada de benéfico para o contexto que estamos inseridos. Nem tudo nesse mundo é como deveria ser e até mesmo aqueles que fazem a vontade de Deus passam por dificuldades, compreender a razão da nossa fé é descobrir que aqueles que realizam a vontade de Deus fielmente, não sofrem porque fizeram algo errado ou pecaram, mas porque estão dispostos a pagar o preço para iluminar as trevas que enfrentamos em nossos dias.

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